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7 de abril de 2013

Ave Sangria - Discografia.

Ave Sangria é um conjunto musical brasileiro de rock rural, um dos principais expoentes da cena musical psicodélica pernambucana dos anos 1970, junto com Zé Ramalho, Marconi Notaro e Lailson. 

Inicialmente chamado de Tamarineira Village, o conjunto mudou de nome por sugestão dos integrantes, pelo fato de ter que ficar explicado o por que do nome em todas as apresentações da banda. Era formado por Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Agrício Noya (percussão). Seu trabalho mais conhecido é o álbum Ave Sangria de 1974. (Wikipédia) 

História.

Eles usavam batom, beijavam-se na boca em pleno palco, faziam uma música suja, com letras falando de piratas, moças mortas no cio. E eram muito esquisitos; “frangos”, segundo uns, e uma ameaça às moças donzelas da cidade, conforme outros. Estes “maus elementos” faziam parte do Ave Sangria, ex-Tamarineira Village, banda que escandalizou a Recife de 1974, da mesma forma que os Rolling Stones a Londres de dez anos antes. Com efeito, ela era conhecida como os Stones do Nordeste. 

“Isto era tudo parte da lenda em torno do Ave Sangria” - explica, 25 anos depois, Rafles, o ministro da informação do grupo. “O baton era mertiolate, que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu esta história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas.” Rafles por volta de 68, era o “pirado” de plantão do Recife. Entre suas maluquices está a de enviar, pelo correio, um reforçado baseado, em legítimo papel Colomy, para Paul McCartney. Meses depois, ele recebeu a resposta do Beatle: uma foto autografada como agradecimento. 

Foi Rafles quem propôs o nome Tamarineira Village, quando o grupo tomou uma forma definitiva, com a entrada do cantor e letrista Marco Polo. Isto aconteceu depois da I Feira Experimental de Música de Fazenda Nova. Até então, sem nome definido, Almir Oliveira, Lula Martins, Disraeli, Bira, Aparício Meu Amor (sic), Rafles, Tadeu, e Ivson Wanderley eram apenas a banda de apoio de Laílson, hoje cartunista do DP. 

Marco Polo, um ex-acadêmico de Direito, foi precoce integrante da geração 45 de poetas recifenses. Com 16 anos, atreveu-se a mostrar seus poemas a Ariano Suassuna e a Cesar Leal. Foi aprovado pelos dois e lançou seu primeiro livro em 66. Em 69, iniciou-se no jornalismo, como repórter do Diário da Noite. Logo ganhou mundo. Em 70, trabalhou por algum tempo no Jornal da Tarde, em São Paulo, mas logo virou hippie, trabalhando como artesão na desbundada praça General Osório, em Ipanema. O primeiro show como Tamarineira Village foi o Fora da Paisagem, depois do festival de Fazenda Nova. Vieram mais dois outros shows, Corpo em Chamas e Concerto Marginal. A partir daí a banda amealhou um público fiel.

Ciganos.

A mudança do nome aconteceu quando o grupo passou a ser convidado para apresentações em outros Estados. Os músicos cansaram-se de explicar o significado de Tamarineira Village. O Ave Angria, segundo Marco Polo, foi sugestão de uma cigana amalucada, que encontraram no interior da Paraíba: “Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho. 

Na época, o som do Quinteto Violado era uma das sensações da MPB. Não tardou para as gravadoras mandarem olheiros ao Recife em busca de um novo quinteto. A RCA foi uma delas. O Ave Sangria foi sondado e recusou a proposta (a RCA contratou a Banda de Pau e Corda). 

O disco viria com a indicação da banda, pelo empresário dos Novos Baianos, à Continental, a primeira gravadora a apostar no futuro do rock nacional. Antecipando a gozação por serem nordestinos, os integrantes da banda chegaram no estúdio Hawai, na Avenida Brasil, Rio, todos de peixeira na mão: “Falamos para o pessoal ter cuidado, porque a gente vinha da terra de Lampeão”, relembra Almir Oliveira. Foi um dos poucos momentos de descontração da banda. Com exceção de Marco Polo, nenhum dos integrantes conhecia o Rio e jamais haviam entrado num estúdio de gravação.

De Peixeira na Mão.

Como agravante, quem produziu o disco foi o pouco experiente Marcio Antonucci. Ex-ídolo da Jovem Guarda (formou a dupla Os Vips, com o irmão Ronaldo), Antonucci ficou perdido com o som que tinha em mãos, e o pôs a perder: “Ele não entendeu nada daquela mistura de rock e música nordestina que a gente fazia, e deixou as sessões rolarem. O diabo é que a gente também não tinha a menor experiência de estúdio”, conta o guitarrista Paulo Rafael. Resultado: o disco acabou cheio de timbres acústicos. O Ave Sangria, involuntariamente, virou uma espécie de Quinteto Violado udigrudi. E adulterado não foi apenas o som. A gravadora não topou pagar pela arte da capa e colocou em seu lugar um arremedo do desenho original, assinado por Laílson. 

O disco, mesmo pouco divulgado, conseguiu relativo sucesso no Sudeste, e vendeu bastante em alguns Estados do Nordeste. Uma das músicas que fizeram mais sucesso, e polêmica, foi o samba-choro Seu Waldir. “Seu Waldir o senhor/ Machucou meu coração/ Fazer isto comigo, seu Waldir/ Isto não se faz não… Eu quero ser o seu brinquedo favorito/ Seu apito/ Sua camisa de cetim…” Numa época em que a androginia tornava-se uma vertente da música pop. Lá fora com o gliter rock de David Bowie, Gary Glitter e Roxy Music com Alice Cooper, a aqui com o rebolado dos Secos & Molhados, Seu Waldir foi considerado pelos moralistas pernambucanos como uma apologia ao homossexualismo, quando não passava de uma brincadeira do irreverente do Ave Sangria. 

Seu Waldir por pouco não vira mito. Uns diziam que era um senhor que morava em Olinda, pelo qual o vocalista do Ave Sangria apaixonara-se. Outros, que se tratava de um jornalista homônimo. Enfim, acreditava-se que o tal Waldir era um personagem de carne e osso. Marco Polo esclarece a história do personagem “Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música”. 

O Departamento de Censura da Polícia Federal não levou fé nesta versão. Proibiu o LP e determinou seu recolhimento em todo território nacional. A proibição incitada, segundo os integrantes do Ave Sangria, pelo hoje colunista social do Diário de Pernambuco, João Alberto: “Ele tocava a música no programa de TV que ele apresentava e comentava que achava um absurdo, que uma música com uma letra daquelas não poderia tocar livremente nas rádios”, denuncia Rafles. Almir Oliveira diz que lembra dos comentários do jornalista na televisão: “Mas não atribuo diretamente a ele. Se não fosse ele, teria sido outra pessoa, a música era mesmo forte para a época”, ameniza. A proibição, segundo comentários da época, deveu-se a um general, incentivado pela indignação da esposa, que não simpatizou com a declaração de amor a seu Waldir. 

O disco foi relançado sem a faixa maldita, mas aí o interesse da mídia pelo grupo já havia passado. A Globo, por exemplo, desistiu de veicular o clipe feito para o Fantástico, com a música Geórgia A Carniceira. O grupo perdeu o pique: “A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)”, relembra Marco Polo.
Em dezembro de 1974, o Ave Sangria parecia querer alçar vôo novamente. O grupo fez uma das suas melhores apresentações, com o show Perfumes & Baratchos. O público que foi ao Santa Isabel não sabia, mas teve o privilégio de assistir ao canto de cisne da Ave Sangria. Foi o último show e o fim da banda. Texto: Multiply. 

Integrantes.

Atual.

Marco Polo (Vocal, 1969-At)

Última Formação.

Breno Lira (Guitarra, 2009-2011)
Cassio Sette (Teclado E Backing Vocal, 2009-2011)
Wellington Santana (Baixo E Backing Vocal, 2009)

Ex-Integrantes.

Ivson Wanderley (Guitarra, Teclado e Backing Vocal, 1969-1980)
Israel Semente (Bateria, Percussão e Backing Vocal, 1969-1982)
Paulo Raphael (Guitarra e Sintetizador, 1970-1980)
Agrício Noya (Bateria e Percussão, 1969-1979)

Turnês.

Ebel Perrelli (Percussão, 2009-At)
Nando Barreto (Baixo e Backing Vocal, 2009-At)
Jerimum (Percussão, 2010-2012)


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Como Baixar.

Álbuns.

Ave Sangria (1974)
 
01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã

(320Kbps)

Link.

Perfumes y Baratchos, Ao Vivo (Bootleg 1974)
 
01. Grande Lua
02. Janeiro em Caruaru
03. Vento Vem (Boi Ruache)
04. Dia-a-dia
05. Geórgia, a Carniceira
06. Sob o Sol de Satã
07. Instrumental
08. Por Que
09. Hey Man
10. O Pirata
11. Lá Fora


(128Kbps)

Link.

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11 comentários :

  1. Boa ! Curto muito esse álbum de estúdio, mas ainda não tinha escutado esse Bootleg.

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  2. Rayfran Terças09/04/13 15:19

    Grande Post Alex! Psicodélia Nordestina das Boas! Ave Sangria! Muito Bom! Já Conhecia! Que Gosta de Zé Ramalho! Recomendo baixar! valeu Alex! Vida Longa Ao Muro!

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  3. José Alves Teixeira (Tex) Garanhuns-PE11/04/13 16:06

    Resta saber que o álbum de Lula Cortes e Zé Ramalho ''PAEBIRÚ'' tem a participação praticamente de quase todos os componentes do Ave Sangria. O nome mais forte da cena Psicodélica de Pernambuco bem como do Nordeste foi Realmente Marconi Notaro. Alex valeu esta postagem para aqueles que não conhecem a cena musical do Brasil dos anos 70. Forte Abraço.

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  4. Ave Sangria é a prova cabal de que a música brasileira no passado era de uma riqueza inexplicável...

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  5. muito bom......isso sim e musica de verdade....

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  6. esse algum de 74 é uma pérola.

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  7. Muito bom. Tenho 16 anos e graças ao meu pai gosto de musica boa \o/

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  8. gostei desse som . valeu muro

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  9. Lee Van Cleif15/01/16 03:46

    É o que eu digo, rock brasileiro é isso aí! É inpresionante saber que uma banda de Pernambuco naquela época conseguiu lançar um album completo, e com tantas músicas de qualidade, pras bandas di sudeste já era tarefa difícil emagina uma do nordeste, que tocava um som altamente experimental,foi muita força de vontade, sao heróis do seu tempo junto com terreno baldio, recordando o vale das maçãs, o terço, casa das máquinas, made in brazil, som nosso de cada dia, modulo 1000, a barca do sol, som imaginário,moto perpétuo,a bolha e patrulha do espaço, entre outras, acho que eles chocavam muito a cidade do recife, tao de parabéns só por terem ctiado à banda.

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  10. Procurei isso tanto. Obrigado muro do classic rock! :)

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  11. Conhecia a banda e estou impressionado com a quantidade de coisas raras e boas do blog, parabens mesmo. Mas o que significa Tamarineira Village heim?

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