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26 de outubro de 2013

The Cosmic Jokers - Discografia.

Na nebulosa e conturbada história do rock alemão dos anos 70, vulgarmente conhecido como Krautrock, a saga dos Cosmic Jokers é uma das mais inusitadas. Um colectivo de músicos reunidos por um produtor meio louco e que editou discos sem saber que o fazia? Sim, nesta época tudo era possível. 

O agrupamento alemão conhecido como Cosmic Jokers editou cinco álbuns em 1974, sem nunca realmente ter existido. Esta história, incongruente e insólita, merece sempre ser contada. 

Em 1973, o ex-patrão da editora Öhr, Rolf-Ulrich Kaiser, decidiu congregar a ínclita geração da Kosmische Musik para uma série de sessões de estúdio. Eram eles os Kosmische Kuriere, o poderoso combo que emprestou o seu gênio aos discos míticos de Walter Wegmüller, Sergius Golowin e à colaboração entre os Ash Ra Tempel e Timothy Leary. Composta, entre outras, por luminárias como Klaus Schulze e Manuel Göttsching, esta unidade reuniu-se para uma série de jam sessions espaciais e alucinantes, desconhecendo que estava a gravar para a posteridade algumas das peças mais fora de órbita que o rock alguma vez conheceu.

Rezam as crônicas que Rolf-Ulrich Kaiser aliciou os músicos para o estúdio oferecendo-lhes alucinógenos gratuitos em troca de improvisos inspirados. Sendo os ácidos motor de arranque para as musas de muitos dos músicos desta era, os mesmos não se fizeram rogados. Após a conclusão do festim, o produtor Dieter Derks tratou de transformar o caos em ordem e a música foi lançada em disco. Meses depois, o guitarrista Manuel Göttsching decidiu ir a uma discoteca de Berlim para ouvir as novidades. Ao ouvir um som novo a transbordar das colunas, perguntou o que era. Ficou a saber que aquela guitarra bluesy, spacey, freaky, que estava a ouvir, era ele mesmo e a sua nova banda: The Cosmic Jokers. E a peixeirada estalou. 

Para além do extravagante Kaiser, a usurpação musical teve o conluio da sua não menos colorida namorada, Gille Lettman. A senhora auto-intitulava-se artisticamente Sternenmädchen, ou Dama das Estrelas. Deu a voz e a cara no último disco da pseudo-banda, Gilles Zeitschiff, construído a partir de gravações pré-feitas e muito provavelmente o primeiro álbum de remisturas da história. E o resto sucedeu-se em catadupa: Processos em tribunal, os discos retirados do circuito e Kaiser e a luz dos seus olhos a fugirem da Alemanha. Felizmente, as gravações foram conservadas e podemos ainda apreciar a fabulosa, inovadora e única sonoridade dos Cosmic Jokers em toda a sua plenitude. 

No que realmente interessa, ou seja, a música, os Cosmic Jokers deixaram um dos legados mais incríveis e extasiantes do rock alemão de setenta. Cada disco, mas especialmente os três primeiros, são obras-primas do psicodelismo cósmico e trippy (como já foi dito, o quinto álbum é um disco de remisturas, sendo o quarto uma espécie de sampler de vários atos que convergem na banda que nunca existiu). São discos quase hardcore na abordagem despudorada feita à música sob a influência de alucinógenos. Guitarras lânguidas, que parecem projetar a aura dos blues no vácuo do espaço sideral, teclados faiscantes que cortam o negro como raios luminosos, bateria em constante elipse e pontuais vozes femininas que murmuram como sereias no Mar da Tranquilidade. 

Galactic Joke, Cosmic Joy, Kinder des Alls, Galactic Supermarket... Momentos de absoluta rêverie, que invadem e conquistam a mente, deixando o ouvinte num estado de semi-torpor, interrompido por despertares eletrônicos e batidas meteóricas. A lei da gravidade não impera aqui, o que reina é um transe contínuo e total, um carrossel imparável que gira a anos-luz deste mundo. É o som de buracos negros, quasares e nebulosas. 

Verdade ou mito, a história dos Cosmic Jokers é a história de músicos geniais e inventivos, quebrando barreiras, ultrapassando fronteiras e tornando o próprio som uma contínua experiência lisérgica, detentora do poder de alterar consciências. Se o cérebro tivesse um ponto G, esta música titilá-lo-ia com pétalas e vibrações de seda. Texto: Escrito no Som. 

Integrantes.

Dieter Dierks (Baixo)
Jürgen Dollase (Teclados, Vocais)
Manuel Göttsching (Guitarra)
Harald Grosskopf (Bateria)
Klaus Schulze (Sintetizador)

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Álbuns.

The Cosmic Jokers (1974)
 
01. Galactic Joke (A)
02. Galactic Joke (B)
03. Galactic Joke (C)
04. Cosmic Joy (A)
05. Cosmic Joy (B)


Galactic Supermarket (1974)
 
01. Kinder des Alls
02. Galactic supermarket


The Cosmic Jokers & Sternmadchen - Planeten Sit-In (1974)
 
01. Raumschiff Galaxy Startet
02. The Planet Of Communication
03. Elektronenzirkus
04. Der Narr Im All
05. Raumschiff Galaxy Fliegt In Die Sonne
06. Intergalactic Nightclub
07. Loving Frequencies
08. Electronic News
09. Intergalactic Radio Guri Broadcasting
10. Raumschiff Galaxy Gleitet Im Sonnenwind
11. Interstellar Rock: Kosmische Musik
12. Raumschiff Galaxy Saust In Die Lichtbahnen
13. Der Planet Des Sternenmädchens


Sci Fi Party (1974)
 
01. Im Reich Der Magier
02. Der Herrscher
03. The Cosmic Couriers Meet South Philly Willy
04. Kinder Des Alls I
05. The Electronic Scene
06. Kinder Des Alls II
07. Interplay Of Forces
08. Planeten Sit-In


The Cosmic Jokers & Sternmadchen - Gilles Zeitschiff (1974)
 
01. Tim Bleibt bei Uns
02. Downtown
03. Lord Krishna
04. Power Drive
05. Bei Tim
06. Right Hand Lover
07. Cosmic Courier Bon Chance
08. Swiss High Lands
09. Der Magier
10. The Electronic Scene Ash Ra Tempel, Barritt, Leary…
11. Electronic Rock Zeitalter
12. So Beautiful
13. The Queen of Sunshine
14. Meine Kosmische Musik


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4 comentários :

  1. Essa banda eu já conhecia, de outras tantas viagens pela net. È excelente o trabalho de Klaus Schulze (teclados) e Manuel Göttsching (guitarras), visto que os dois já vinham de uma parceria muito bem sucedida com o Ash Ra Temple. Para quem conhecer experimentações musicais alucinantes elevadas ao mais alto grau "psico-cósmico sideral". Há que se destacar também o excelente trabalho do produtor Dieter Dierks (Accept) coordenando essa zoeira musical. È muito bom ver essa discografia no Muro, mais uma vez muitíssimo obrigado ao Alex e essa competente equipe que ele reuniu para nos presentear com o que de melhor foi feito no mundo da boa música, e viva o Krautrock. Em tempo: Klaus Schulze e Manuel Göttsching desenvolveram carreiras solo, após esse projeto, lançando excelentes obras que valem muito a pena conhecer.

    Edson - BH

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  2. Ooops...,me desculpem pela falha na digitação, corrigindo: eu quiz dizer: para quem 'quer' conhecer. Valeu.

    Edson - BH

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  3. som espacial viajante os 5 discos sao muito bons,recomendo para os q curtem prog eletronico,valeu muro.

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  4. Tão espetacular quanto a banda é o texto que lhe descreve aqui. Viagem pura!

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