Please enable / Bitte aktiviere JavaScript!
Veuillez activer / Por favor activa el Javascript![ ? ]

1 de janeiro de 2016

Fanny Adams (1971)

Retomando as escavações por informações do período jurássico do rock, aqui nessa seção hoje a pauta é a fantástica Fanny Adams. Numa conexão direta Austrália/Inglaterra, a banda começou com o australiano Vince Maloney, guitarrista, que estava na Inglaterra e arredores entre 1966 e 1969 tocando com os Bee Gees, à época um grupo também australiano que trafegava pelos caminhos mais domesticáveis do rock psicodélico – a vertente chamada de sunshine pop. 

Vince já tinha estrada em sua terra natal antes disso, tendo participado da primeira formação de uma banda famosa por lá durante os anos 60-70 – The Aztecs. O guitarrista sentia sérias divergências musicais com o grupo e resolveu montar uma nova banda, ainda na Inglaterra mesmo. Na época, Vince estava começando a trabalhar em um disco solo. Passou algum pouco tempo tocando com o trio Ashton, Gardner & Dyke, onde foi chamado para assumir as guitarras do grupo, posto que pertencia a ninguém menos que Steve Howe, do Yes, em uma curta passagem que teve pela banda. O guitarrista conseguiu um contrato como artista solo com a MCA e largou o trio. Para essa empreitada, ele preferiu montar um grupo nos moldes de peso de Led Zeppelin e Cream a se lançar como artista solo. E aí surgia o Fanny Adams. 

O primeiro convidado por Vince foi o baixista Teddy Toi, um amigo da época do colégio, que já estava na Inglaterra tentando a vida como músico de estúdio. Teddy estava na ativa desde o final dos anos 50 com Sonny Day & the Sundowners e integrou também o The Aztecs em sua segunda formação. 

Em junho de 70, Vince convida Johnny Dick, baterista, e Doug Parkinson, vocalista, que estavam na Austrália, para se juntarem a ele. Esses dois caras participaram de bandas razoavelmente bem sucedidas durante os anos 60 na Austrália, especialmente Doug, que já na época era tido como um dos grandes vocalistas juvenis do país. Entre diversos que grupos que passaram, Johnny Dick e Doug Parkinson tocaram juntos no projeto Doug Parkinson in Focus, e com esse nome chegaram até a emplacar um hit no top 20 de lá no ano de 1968 e ganharam o primeiro prêmio numa espécie de “batalha de bandas” no fim de 1969 (pela internet é possível encontrar performances de Doug com sua banda In Focus). Coincidentemente, o prêmio era uma viagem para a Inglaterra, e por lá toparam a parada proposta por Vince Maloney, que parecia bem interessante, afinal a MCA já era uma grande gravadora na época. 

Juntos, eles compuseram muito rapidamente o material para o disco. O material tinha bastante potencial e a própria banda enxergava isso de uma maneira bem grandiosa, com seus membros dando declarações de que o grupo estouraria em pouco tempo e que seria um dos maiores do mundo, etc e tal. Um certo “conceito prévio” se criou no público que os assistia, que não via toda essa prepotência convertida em som. Isso acabou jogando contra a banda. 

Além disso, a gravadora segurou o álbum e só o lançou em junho de 71, meses depois de ter sido gravado. No fim de 70, eles voltaram para a Austrália e lá tiveram de suportar a pressão por conta de suas próprias declarações. Todos eles já tinham experimentado, de um modo ou de outro, momentos bem sucedidos em suas carreiras, e a tensão na convivência entre eles era considerável, pois as expectativas com a aceitação da própria banda eram grandes. 

O Fanny Adams teve alguns momentos de glória em sua curta carreira, em especial a apresentação no Myponga Festival, em janeiro de 1971, que teve como atração principal o Black Sabbath, além de outras bandaças australianas do período. No comecinho daquele ano, a MCA soltou um compacto com as músicas “Got a Get Message to You” e “They´re All Losers, Honey”, com pouca expressão na Inglaterra. 

Alguns poucos meses depois de terem voltado para a Austrália o grupo acabou, e quando o disco saiu o Fanny Adams nem existia mais para promovê-lo. A gota d’água talvez tenha sido a desastrosa apresentação na discoteca Sidney’s Caesar’s Palace, onde um incêndio destruiu todo o equipamento da banda. 

Já pouco tempo depois do fracasso do Fanny Adams, Doug Parkinson refez o seu grupo In Focus. Todos continuaram suas carreiras musicais na Austrália, com bandas de relativa expressão por lá, e Vince Maloney até tocou com os Bee Gees (depois de trinta anos afastado da banda) em um concerto na Austrália. 

O disco.

O único disco do Fanny Adams, que celebra o nascimento e a morte prematura da banda, é tão incisivo quanto batidas nas portas dos ouvidos. O som como um todo é rude, urgente, mal encarado; é como uma peça rústica – há quem queira ainda tratá-la, aparar as arestas e envernizá-la, mas há quem veja o charme justamente na naturalidade de seu estado inacabado e ainda não domesticado. 

É um som que inspira força, vontade, veias e artérias em alta pressão. “Ain’t no Loving Left” é um blues-despacho que exorciza todos os impulsos sexuais logo no início do trabalho. Os riffs ao longo do disco são maquinados com uma energia blueseira, por sobre uma conjuntura rítmica nova e frenética, que distingue o aqui nascente hard rock do vigente blues rock britânico, sugando alguns quilowatts a mais, para amplificar a uma dimensão maior as explosões mentais da moçada. 

A bateria demonstra o som esgotado de suas peles atacadas pelo limite da força, sem esquecer a inteligência rítmica para dosar socos e chutes. A guitarra entra rasgante em perfeita complementação às frequências do baixo, no limiar da saturação. A exceção da distinta e fantástica vocalização de Doug Parkinson, o paredão sonoro do Fanny Adams é monolítico e está alicerçado na sonoridade agressiva e valvulada do começo dos anos 70. A voz emana de todos os centímetros quadrados e, sua respiração cadenciada pulsa de vibrações todo o ar ao redor. Mesmo os momentos mais melódicos do disco são executados com uma força devastadora, que não descansa os tímpanos. 

O disco foi lançado na época pela MCA e relançado em formato de CD pela Lizard Records, em 1998. O LP da época é raríssimo de ser encontrado. Texto: Ronaldo Rodrigues. 

Integrantes.

Vince Melouney (Guitarra & Vocais)
Doug Parkinson (Vocais)
Teddy Toi (Baixo)
Johnny Dick (Bateria)

 
01. Ain't No Loving Left (6:40)
02. Sitting On Top Of The Room (9:48)
03. Yesterday Was Today (4:25)
04. Got To Get A Message To You (4:35)
05. You Don't Bother Me (4:42)
06. Mid Morning Madness (5:25)
07. They're All Losers Honey (4:23)


(320Kbps)


Senha/Password: muro

E-mail de contato para links quebrados ou outros problemas: murodoclassicrock@gmail.com

Antes de comentar leia as regras que estão próximas do formulário, comentários desrespeitando as mesmas, não serão publicados e nem atendidos.

4 comentários :

  1. Boa pedida para começar o ano. Vamos conferir. Feliz 2016 para todos.

    Edson - BH

    ResponderExcluir
  2. HAPPY NEW YEAR ALEX & COMPANY! I look forward another wonderful year of great music...that only you all can provide! THANK YOU!

    ResponderExcluir
  3. Jayme da costa Maceió AL03/01/16 22:31

    Fazia algum tempo que eu não ouvia esta banda. Este álbum é incrível, psicodelismo com muito Hard rock. Excelente para iniciar o ano!

    ResponderExcluir
  4. EXCELENTE,
    VALEU ALEX PELO SEU TRABALHO.
    VIVA MURO
    VIVA ALEX SALA.
    FIQUEM COM DEUS.
    O/

    ResponderExcluir

Todos comentários aparecem após a aprovação, portanto aguarde a moderação do seu comentário sem precisar repeti - ló várias vezes.

Perguntas, avisos ou problemas no blog, serão atendidos somente através do e-mail: murodoclassicrock@gmail.com

Quem insistir em escrever nos comentários será ignorado e o problema não será corrigido.

Por vários motivos esse Blog não atende pedidos de discografias, e-mails ignorando este aviso serão marcados como Spam.

Links alheios não serão permitidos.

Respeite os gostos e opiniões alheias, críticas, ofensas e discussões com palavras de baixo calão não serão permitidas.