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21 de março de 2016

Pearls Before Swine & Tom Rapp - Discografias.

A safra de LSD produzida e distribuída por Owsley Stanley em São Francisco naquele ano de 1967 devia ser das melhores, porque os freaks da cidade simplesmente alucinaram quando viram nas lojas aquele disco incomum, cuja capa mostrava um detalhe do quadro “O Jardim das Delícias” do pintor flamengo Hyeronimus Bosch.

O nome do disco era One Nation Underground, estreia da banda Pearls Before Swine, que na contracapa não fornecia nada mais além das letras de algumas músicas. Nada de ficha técnica, nada de foto da banda, um mistério que só serviu para alimentar as especulações da população hippie que já havia chapado com o último disco dos Beatles: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Como o som era algo que hoje podemos rotular de acid folk melódico, e os arranjos traziam exóticos instrumentos árabes e asiáticos sobre um farfisa garageiro, o cérebro fritado em banha ácida da comunidade hippie começou a viajar e boatos foram levantados de que aquele disco deveria ser uma não creditada parceria entre ninguém menos do que Bob Dylan e os Beatles.

Bom, as letras eram originais, poéticas, desarticuladas e longe do estilo dylanesco, o que não impediu que justificassem como letras de outra pessoa na voz de Mr. Zimmerman. E quanto aos arranjos sofisticados, eles até que tinham um pedigree que se encaixava na árvore genealógica dos rapazes de Liverpool, mas a viagem não acabava por aí. A alucinação bateu forte por causa do selo que lançou o disco: o novaiorquino ESP Records, com certeza o selo mais anticomercial daquela época, que já havia lançado dois discos da banda The Fugs e vários álbuns experimentais de free jazz. Se dois dos maiores expoentes da música jovem de então quisessem documentar uma parceria e escapar dos problemas contratuais com suas gravadoras, nada melhor do que um disco fantasma lançado pelo mais underground dos selos. Na cabeça de todo pirado que habitasse entre o distrito de Haigh-Ashbury, em São Francisco, e o bairro do SoHo, em Nova York,  tudo se encaixava e One Nation Underground vendeu na época cerca de 200 mil unidades. É até hoje o disco mais vendido da história da ESP Records.

No ano seguinte, um novo disco do Pearls Before Swine, tão bom quanto o primeiro, aterrissou nas lojas: Balaklava. Desta vez, o disco trazia na capa uma pintura do também pintor flamengo Pieter Bruegel (o velho) chamada “O Triunfo da Morte”; e não por acaso, Bruegel tinha Bosch como uma de suas principais influências. Aqui o PBS revela não apenas sua temática anti-war como também todo o seu mistério para aqueles que não se deram ao trabalho de ler resenhas sobre o primeiro disco nas revistas da época, já que traz uma foto da banda na contracapa e o nome de seus integrantes.

Para ser sincero, não sei se é correto chamar o PBS de banda. Estava mais para um projeto de um jovem e brilhante músico, autor de muitas das letras mais poéticas e surrealistas dos anos 60,  chamado Tom Rapp. Tom nasceu na cidade de Bottineau, Dakota do Norte, quase na fronteira com o Canadá, e cresceu em Minnesota, onde foi muito influenciado pelos músicos de country e folk locais. Seu estalo para a música, porém, aconteceu quando ouviu no rádio Peter, Paul and Mary tocando “Blowing In The Wind”. Resolveu aprender a tocar a música imediatamente e, quando soube que era de Bob Dylan, interessou-se pelo compositor e passou também a compor. Espécie de autodidata, Tom aprendeu tudo o que sabia sobre tocar um instrumento nas folhas de um song book de Joan Baez. Junto com três amigos da escola onde fazia o colegial em Melbourne, na Flórida, formou uma banda  (Wayne Harley no banjo e bandolin, Lane Lederer no baixo e guitarra e Roger Crissinger nos teclados) e gravou uma fita demo que foi enviada à ESP Records. Imediatamente foram convidados a gravar um álbum. 

Essa tal de ESP Records foi a primeira gravadora dedicada quase que exclusivamente à música underground. Pertencia a um advogado do ramo musical de nome Bernard Stollman e foi fundada em 1963 na cidade de Nova York com o nome de Esperanto Disk, cuja especialidade era gravar LPs  nessa língua universal. Quando encurtou o nome da gravadora para ESP, Stollman passou a oferecer, podemos dizer, a única oportunidade para músicos de jazz de vanguarda, folk-rock boêmio e colagens experimentais gravarem um disco. Graças a esse espírito pouco convencional e alheio ao mainstrem, a ESP lançou discos de Sun Ra, Pharoah Sanders, Paul Blee, The Fugs e Holy Modal Rounders, entre outros alucinados. Também tinha parte de seu catálogo dedicado ao que hoje chamamos de World Music, com discos de música regional de vários países.

Aliás, isso explica a sonoridade medieval e os instrumentos exóticos do primeiro disco do PSB. Quando Tom Rapp e cia. entraram no estúdio da ESP em Nova York, encontraram vários instrumentos das bandas étnicas que gravavam por lá. Como a gravadora cedia apenas o estúdio, sem ter um produtor ou engenheiro de som, as bandas usavam seu tempo como queriam e o PSB se sentiu à vontade para tirar um som dos sarangis, ouds (espécie de balalaika) e osciladores que estavam dando sopa. 

O sucesso de Balaklava, tanto de público quanto de crítica, acabou animando Bernard Stollman a oferecer uma compensação financeira a Tom Rapp, mas imagino que não deva ter sido muito boa pois já li algumas entrevistas do artista dizendo que ele não fez dinheiro algum com esses discos.

Balaklava também marca o final da carreira do Pearls Before Swine como grupo, pois os três amigos de Rapp debandaram logo após e ele continuou como artista solo, mas usando ainda o nome do PBS. Lançou 5 discos pela Warner/Reprise e 2 pela Blue Thumb até 1973.

Em 1976, finalmente caiu a ficha de que, apesar de ter gravado quase uma dezena de LPs, lançado vários compactos, feito vários shows e conquistado  um certo reconhecimento da crítica especializada, não valia mais a pena para um artista com tão pouco apelo comercial como ele viver quebrado financeiramente. Rapp então abandonou a música e voltou a estudar, formando-se em economia e advocacia. 

Em 1995, após aceitar um convite do fanzine Ptolomaic Terrascope, apresentou-se ao vivo junto com seu filho David e pode constatar que sua música havia influenciado vários novos artistas. Muitos deles, inclusive, gravaram um CD tributo ao Perls Before Swine em 1997.

Vou finalizar com um trecho de uma entrevista de Rapp à Revista Goldmine de outubro de 1994: “Eles (Warner/Reprise) disseram que havia um público para o que eu estava fazendo, mas não tinham nenhuma idéia de onde ele estaria ou de como alcançá-lo, mas os discos estavam vendendo e havia difusão em todo o mundo. Realmente, uma vez eu recebi um cheque da BMI da Albania ou Paquistão no valor de $22.50, então as pessoas ainda estavam me ouvindo”.  Texto: Marco Gaspari. 

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Álbuns.

Pearls Before Swine.

One Nation Underground (1967)
 
01. Another Time
02. Playmate
03. Ballad To An Amber Lady
04. (Oh Dear) Miss Morse
05. Drop Out!
06. Morning Song
07. Regions Of May
08. Uncle John
09. I Shall Not Care
10. The Surrealist Waltz


Balaklava (1968)
 
01. Trumpeter Landfrey...
02. Translucent Carriages
03. Images Of April
04. There Was A Man
05. I Saw The World
06. Guardian Angels
07. Suzanne
08. Lepers And Rose
09. Florence Nightingale...
10. Ring Thung


These Things Too (1969)
 
01. Footnote
02. Sail Away
03. Look Into Her Eyes
04. I Shall Be Released
05. Frog In The Window
06. I'm Going To The City
07. Man In The Tree
08. If You Don't Want To (I Don't Mind)
09. Green And Blue
10. Mon Amour
11. Wizard Of Is
12. Frog In The Window
13. When I Was A Child
14. These Things Too


The Use Of Ashes (1970)
 
01. The Jeweler
02. From The Movie Of The Same Name
03. Rocket Man
04. God Save The Child
05. Song About A Rose
06. Tell Me Why
07. Margery
08. The Old Man
09. Riegal
10. When The War Began


Tom Rapp/Pearls Before Swine - City Of Gold (1971)
 
Tom Rapp.
01. Sonnet #65
02. Once Upon A Time
03. Raindrops
04. City Of Gold
05. Nancy
Pearls Before Swine.
06. Seasons In The Sun
07. My Father
08. The Man
09. Casablanca
10. Wedding
11. The Flower (Did You Dream of Unicorns?)


Tom Rapp/Pearls Before Swine - ...Beautiful Lies You Could Live In (1971)
 
01. Snow Queen
02. A Life
03. Butterflies
04. Simple Things
05. Everybody's Got Pain
06. Bird on a Wire
07. Island Lady
08. Come to Me
09. Freedom
10. She's Gone
11. Epitaph


The Wizard Of Is 1967-1976 (2004)
 
CD 1.

01. Where Is Love
02. Butterflies
03. Love, You Are Not Alone
04. Grace Street
05. Translucent Carriages
06. Space
07. Sail Away
08. City Of Gold
09. Song About A Rose
10. For Free
11. Roadside Hotel
12. Prisioner Of War
13. Wizard Of Is
14. Oh Sister
15. The Lincoln Dream
16. Can't Go Back
17. Mary Mary
18. Going To The City
19. Rocket Man
20. Riegal
21. Just Let The Grass Grow

CD 2.

01. Everybody's Got Pain
02. Amber Lady, I Saw The World
03. Crawling Towards Bethlehem
04. Translucent Carriages
05. Miss Morse
06. There's No Other
07. Island Lady
08. Frog In The Window
09. Morning
10. Riegal
11. Full Fathom Five, I Shall Not Care
12. Marshall
13. Footnote, When War Began
14. Jesus
15. Anothertyme
16. Rocket Man
17. Crewman
18. Suzanne
19. Prayers Of Action, Candle
20. Lessons Of The 60s
21. Rocket Man
22. The Jeweler
23. If You Don't Want To (I Don't Mind)


Tom Rapp (Solo).

Familiar Songs (1972)
 
01. Grace Street
02. The Jeweler
03. Rocket Man
04. Snow Queen
05. If You Don't Want To (I Don't Mind)
06. Margery
07. Charley And The Lady
08. Medley: Full Fathom Five And I Shall Not Care
09. These Things Too
10. Sail Away
 


Stardancer (1972)
 
01. Stardancer
02. Marshall
03. Why should I Care
04. Touch Tripping
05. Les Ans
06. Fourth Day of July
07. Foe the Dead in Space
08. The Baptist
09. Summer of '55
10. Tiny Song


Sunforest (1973)
 
01. Comin' Back
02. Prayers Of Action
03. Forbidden City
04. Love/Sex
05. Harding Street
06. Blind River
07. Someplace To Belong
08. Sunforest
09. Sunshine & Charles


A Journal Of The Plague Year (1999)
 
01. Silver Apples (A Cappella)
02. The Swimmer (For Kurt Cobain)
03. Blind
04. Space
05. Mars
06. Hopelessly Romantic
07. Running in My Dream
08. Wedding Song
09. Silver Apples II (For Simeon)
10. Shoebox Symphony.
A. Where Is Love?
B. State U
C. Just Let The Grass Grow

11. Bonus Track
 

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5 comentários :

  1. Jayme da costa Maceió AL22/03/16 03:21

    Belas canções. Bastante relaxante e pacífico... Obrigado Muro.

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  2. Adoro musica Folk essa banda então é muito show. Eu cheguei a ouvir algumas musicas deles nos anos 80 nessa época entre 81/83 eu viajei muito pelas estradas de carona e conheci um casal do Rio Grade do Sul que me presentou essa banda. Agora vou ter oportunidade de ouvir mais dessa maravilhosa banda. Obrigado Alex

    ResponderExcluir
  3. Alex meu caro, obrigado por dividir conosco mais estas pérolas. Texto muito belo escrito pelo Gaspar. Mensagem que nos emociona e nos leva a querer ouvir tudo do artista. Lamentável que ele não conseguiu fazer a carreira decolar. Mas, é mais um entre tantos outros que fizeram ótimos trabalhos e não tiveram o reconhecimento. E as capas então? Não é para menos que os caras "chaparam" na época.

    Grande abraço, vida longa ao Alex, ao Muro e ao Gaspar.


    De um cinquentão saudosista que deixava de comer o lanche da escola para juntar a "grana" para comprar LPs.
    Ótimos tempos...

    Arnaldo de Indaiatuba-SP

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  4. Pérolas e mais Pérolas encontradas e compartilhadas com o altruísmo impar do Mestre Alex Sala.
    Parabéns

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