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26 de junho de 2016

John Coltrane - Collection.

John William Coltrane (kōl'trān) - (Hamlet, Carolina do Norte, 23 de setembro de 1926 — Long Island, Nova Iorque, 17 de julho de 1967) foi um saxofonista e compositor de jazz norte-americano, habitualmente considerado pela crítica especializada como o maior sax tenor do jazz e um dos maiores jazzistas e compositores deste gênero de todos os tempos. Sua influência no mundo da música ultrapassa os limites do jazz, indo desde o rock até a música erudita. 

Atuou principalmente durante as décadas de 1950 e 1960. Embora tocasse antes de 1955, seus principais anos foram entre 1955 e 1967, durante os quais reformulou o jazz e influenciou gerações de outros músicos. As gravações de Coltrane foram prolíficas: ele lançou cerca de 50 gravações como líder nestes doze anos, e apareceu em outras tantas lideradas por outro músicos. Através de sua carreira, a música de Coltrane foi tomando progressivamente uma dimensão espiritual que iria consagrar seu legado musical. 

Junto com os saxofonistas tenores Coleman Hawkins, Lester Young e Sonny Rollins, Coltrane mudou as perspectivas de seu instrumento. Coltrane recebeu uma citação especial do Premio Pulitzer de Música em 2007, por sua "perita improvisação, musicalidade suprema e um dos ícones centrais na história do jazz". 

Biografia.

Infância e adolescência.

Filho de John Robert Coltrane e de Alice Blair Coltrane, John William Coltrane nasceu em 23 de setembro de 1926 em Hamlet, na Carolina do Norte. Com apenas dois meses de idade se muda com a família para High Point (também na Carolina do Norte), após a nomeação de seu avô, o Reverendo William Blair, para a Igreja Metodista Africana Episcopal de Sião. John cresceu no meio de uma família de músicos: seu pai, que era alfaiate, tocava violino e ukulele, e sua mãe cantava no coro da igreja. 

Em 1939, aos treze anos de idade e após terminar o ano primário, perde seu pai, seu tio e seus avós em um intervalo de um mês, restando somente ele, sua mãe, sua tia e primo. Logo sua mãe começou a trabalhar como doméstica para sustentar a família, enquanto ele terminava o ano secundário. 

Na banda da escola ele aprende primeiramente a tocar clarinete, mas decide largar este instrumento pois se interessou mais pelo saxofone alto, depois de ouvir o saxofonista Johnny Hodges com a banda de Duke Ellington no rádio. Suas influências musicais naquela época foram o saxofonista tenor Lester Young e Count Basie e sua banda. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, sua mãe, sua tia e seu primo se mudam para Filadélfia, em busca de trabalho, deixando-o com amigos da família. Após ter terminado o ano escolar, ele se muda também para Filadélfia em junho de 1943, arranjando emprego em uma refinaria de açúcar. Por um ano, ele frequenta a Ornstein School of Music e estuda no Granoff Studios, além de começar a tocar em alguns bares. 

Início da carreira musical.

Em 1945, Coltrane entra para a Marinha dos Estados Unidos, sendo designado para uma base no Havaí e destacado para a banda militar a tocar clarinete em um grupo chamado Melody Makers. Lá, grava com um quarteto de marinheiros em 13 de julho de 1946. Uma performance da música "Hot House", do compositor Tadd Dameron, foi lançada em 1993 pela antologia da Rhino Records: The Last Giant. 

Coltrane não chegou a entrar em combate. Após voltar do Havaí, em 1946, começa a tocar em diversos pequenos bares e clubes ao redor da Filadélfia. Nessa época ele adquire vício por heroína e álcool. No verão de 1946, entra para o grupo de Joe Webb e depois para a King Kolax Band, com o saxofonista Charlie Parker. É dito que seria nesse grupo que ele decide trocar o saxofone alto pelo tenor, visto que Parker, que tocava saxofone alto, já havia "esgotado" as possibilidades desse instrumento. 

Na metade de 1948, entra para a Jimmy Heats Band, que em 1949 passaria a se chamar Howard McGhee All Stars. No mesmo ano Coltrane recebe o convite de Dizzy Gillespie para tocar saxofone alto em sua big band, realizando em 21 de novembro sua primeira gravação com o grupo. A banda acabou em maio de 1950, mas Coltrane continuou tocando com um grupo menor de Gillespie até maio de 1951. No dia 1 de março, ele faz seu primeiro solo em uma gravação, na música "We Love to Boogie" do grupo de Gillespie. Ele toca com o grupo de Earl Bostic em 1952, e depois vai para o de Johnny Hodges em 1954, mas em setembro do mesmo ano é expulso devido a seu vício em heroína. 

Ascensão.

No verão de 1955, Coltrane recebe um telefonema do trompetista Miles Davis, convidando-o a juntar-se a um grupo que ele estava formando. Miles Davis tinha se recuperado de seu vício em heroína, e voltado à atividade depois de uma apresentação no Festival de Jazz de Newport em julho de 1955, conseguindo assim um contrato com a Columbia Records e uma oportunidade de formar um grupo. Esse mesmo grupo contaria ainda com o pianista Red Garland, o baixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones, sendo conhecido como o Miles Davis Quintet. Com Miles, Coltrane finalmente se estabeleceria como um importante músico de jazz. 

A primeira gravação do quinteto foi feita em outubro de 1955, mesmo mês em que Coltrane se casou com Naima Grubbs. O grupo gravou primeiramente o álbum The New Miles Davis Quintet em 16 de novembro de 1955. Já em maio de 1956, em sessões de dois dias para cumprir um contrato com o selo Prestige Records, gravou os discos: Cookin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1957), Relaxin' with the Miles Davis Quintet (lançado também em 1957), Workin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1958) e Steamin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1961), além do álbum 'Round About Midnight em outubro de 1956 pela Columbia Records. 

No verão de 1956, Coltrane empreende uma tentativa frustrada de se livrar do seu vício em drogas. É demitido por Miles em outubro, mas volta no mês seguinte. No começo de 1957, Coltrane assina com a Prestige, mas continua gravando como sideman para outros selos. Em abril de 1957, é forçado a parar de tocar devido a seus problemas com drogas. Miles substitui-lo-ia por Sonny Rollins. 

O líder.

Em 31 de maio de 1957 fez a sua primeira gravação como líder. O grupo era formado pelo trompetista Johnny Splawn, o saxofonista barítono Sahib Shihab, o pianista Mal Waldron (ou Red Garland em algumas faixas), o baixista Paul Chambers e o baterista Al "Tootie" Heath. O álbum foi lançado em setembro de 1957. Chamado simplesmente de Coltrane, seria conhecido mais tarde como First Trane. Em junho do mesmo ano, tocaria brevemente com o quarteto de Thelonious Monk num clube chamado Five Spot em Nova Iorque. Junto com eles, o grupo contava com Wilbur Ware no baixo e Shadow Wilson na bateria. Monk e Coltrane lançam quatro discos: Thelonious Himself (lançado em 12 de abril de 1957); Thelonious Monk With John Coltrane(em 16 de abril); Monk's Music(em 26 de junho) e Live At The Five Spot: Discovery!. 

Durante este período, Coltrane desenvolve uma técnica que se baseava em várias notas rápidas tocadas em legado, que tornariam seus solos mais longos. Essa técnica se tornaria uma de suas marcas registradas. Mais tarde, em 16 de outubro de 1958, o crítico musical Ira Gitler, da revista especializada em jazz Down Beat, cunharia a expressão "sheets of sound" ("camadas de sons", em português) para caracterizar essa técnica. 

Em agosto de 1957, ele gravou algumas faixas para os álbuns que seriam lançados mais tarde pela Prestige, como Lush Life (1960), Last Trane (1965) e John Coltrane With the Red Garland Trio, conhecido também como Traneing In. Seu próximo álbum, gravado em 15 de setembro de 1957 para o selo Blue Note, seria Blue Train. O álbum contava com o trompetista Lee Morgan, o trombonista Curtis Feller, o pianista Kenny Drew, além de outros dois músicos vindos do quinteto de Miles Davis, o baixista Paul Chambers e o baterista "Philly" Joe Jones. Foi lançado em dezembro de 1957, com composições inteiramente de sua autoria (com exceção de "I'm Old Fashioned", um standard de Jerome Kern e Johnny Mercer). Durante uma entrevista em 1960, Coltrane o descreveu como seu álbum favorito ("este ou Soultrane"). 

De volta ao quinteto.

Em janeiro de 1958, Coltrane volta ao grupo de Miles Davis (ora sexteto ou quinteto) permanecendo nele até abril de 1960, quando sairia para formar seu próprio grupo. Com este grupo basicamente é gravado, entre outros, os álbuns Milestones (fevereiro e março de 1958), 58 Miles (26 de maio e 9 de setembro), Porgy and Bess (22 e 29 de julho, 4 e 18 de agosto). Lateralmente, Coltrane grava faixas para a Prestige que seriam incluídas nos álbuns Lush Life, The Last Trane e The Believer. Entre fevereiro e março, enquanto gravava Milestones com o sexteto de Miles Davis, Coltrane lança em setembro de 1958 o álbum solo Soultrane pela Prestige Records. Além disso, grava faixas que mais tarde entrariam nos álbuns Black Pearls e na coleção da Prestige Settin' the Pace. 

No Festival de Jazz de Newport em 4 de julho de 1958, o sexteto de Miles Davis faz uma apresentação que mais tarde, em 1963, seria lançada no álbum Miles & Monk at Newport. Outras faixas desta performance seriam lançadas no álbum Miles & Coltrane. 

Coltrane grava mais sessões para o selo Prestige em julho de 1958, que apareceriam nos álbuns Standard Coltrane (1962), Stardust (1963) e Bahia (1965). Em dezembro, grava mais algumas sessões também lançadas nos álbuns Stardust, Bahia e The Believer. Assim, ele cumpre seu contrato com o selo, assinando mais tarde com a Atlantic Records. Em 15 de janeiro de 1959, ele faz sua primeira gravação para o novo selo com o vibrafonista Milt Jackson, lançado no álbum Bags and Trane em 1961. 

Kind of Blue.

Em março e abril de 1959, Coltrane grava com o grupo de Miles Davis o álbum Kind of Blue, lançado em 17 de agosto de 1959. O álbum todo foi composto baseado em escalas modais, em que cada integrante recebia um grupo de escalas que definiam os parâmetros da improvisação. O modo de apresentação entrou em contraste com o estilo de composição do jazz tradicional, que se baseava em partituras completas, com progressões de acordes ou séries harmônicas. Kind of Blue é considerado como um dos álbuns mais influentes do jazz, alcançando um elevado número de vendas. 

Entre as sessões deste álbum, Coltrane começa a gravar para a Atlantic Records o álbum solo Giant Steps lançado em 1960. Este álbum é o primeiro com todas as composições de sua autoria, apresentando um novo conceito de uso harmônico conhecido mais tarde como "Coltrane changes" ("mudanças Coltrane" em português), que consistiam em substituições de progressões harmônicas. Este álbum é considerado seu último álbum de bebop, passando mais tarde a explorar o jazz modal. Muitas faixas deste álbum tornaram-se standards, como "Naima", "Giant Steps", "Cousin Mary", "Countdown", e "Mr. P.C.". 

Em abril de 1960 deixa o grupo de Miles Davis para seguir carreira solo. A primeira formação do seu grupo contava com Steve Kuhn, no piano, Steve Davis, no baixo e Pete La Roca, o baterista. Nessa época, ele começa a tocar gradualmente o saxofone soprano assim como o tenor. Seu interesse pelo soprano começou pela admiração que tinha por Sidney Bechet, e os trabalhos de seu contemporâneo Steve Lacy. 

Em outubro, ele grava sessões que seriam usadas nos álbuns Coltrane Jazz, Coltrane Plays the Blues, Coltrane's Sound e My Favorite Things para a Atlantic Records. Este último, um marco em sua carreira. 

My Favorite Things.

My Favorite Things foi gravado entre 21 e 26 de outubro de 1960. O grupo era formado por um quarteto, com John Coltrane (saxofone), McCoy Tyner (piano), Elvin Jones (bateria) e Steve Davis (baixo). Um álbum em que Coltrane introduz revisitações harmônicas mais complexas de músicas como "My Favorite Things" (uma valsa de Richard Rodgers & Oscar Hammerstein), e "But Not For Me" (de George Gershwin). Em uma época em que o saxofone soprano se tornava obsoleto, Coltrane demonstrou com ele uma inventiva habilidade para o idioma do jazz. 

Seu último álbum para a Atlantic é Olé Coltrane, gravado em maio de 1961. Depois ele assinaria com a Impulse! Records gravando Africa/Brass. 

Geralmente, é dito que o motivo por Coltrane ter assinado com o selo Impulse! seria que assim ele poderia trabalhar com o engenheiro de som Rudy Van Gelder novamente, o qual tinha trabalhado com Miles Davis nas sessões para a Prestige Records, assim como para seu álbum Blue Train. Seria no novo estúdio de Van Gelder em Englewood Cliffs, Nova Jerséi, que Coltrane gravaria muitos dos seus discos para o selo. 

No começo de 1961, o baixista Steve Davis seria substituído por Reggie Workman, enquanto ingressava também no grupo o saxofonista Eric Dolphy. O quinteto tocou no clube de jazz Village Vanguard em novembro de 1961, o qual lançaria essa gravação no álbum Live at the Village Vanguard, um LP com uma improvisação de 16 minutos da música "Chasin' the Trane". Apresentando em sua maioria músicas experimentais, influenciadas por ragas indianas, os recentes desenvolvimentos do jazz modal e o nascente movimento do free jazz. Os saxofonistas Sun Ra e John Gilmore foram uma de suas principais influências; uma das canções de vanguarda mais celebradas naquela época, "Chasin' the Trane" foi fortemente influenciada pela música de Gilmore. 

The New Thing.

Durante este período, críticos da época dividiram suas opiniões em relação a Coltrane, que havia mudado radicalmente seu estilo. O público também ficara perplexo; na França, ele foi vaiado durante sua turnê final com Miles Davis. Em 1961, a revista especializada Down Beat citou Coltrane junto com Eric Dolphy, como tocadores do "Anti-Jazz" em um artigo que confundiu e angustiou os músicos. Coltrane admitiu que muitos dos seus solos de antigamente eram baseados mais em ideias técnicas. Além disso, o estilo de Dolphy o levou a ganhar a reputação de títere do movimento chamado New Thing (em português 'Coisa Nova'), estilo também conhecido como "Free Jazz" e "Avant-Garde", liderado por Ornette Coleman - que também foi denegrido por alguns músicos de jazz (incluindo o antigo chefe de Coltrane, Miles Davis) entre alguns críticos. Mas como o estilo de Coltrane estava se desenvolvendo, sua determinação era fazer de cada performance "uma única expressão", como ele mesmo disse sobre sua música, em uma entrevista em 1966. 

Em 1962, Dolphy sai, e Jimmy Garrison substitui no baixo Reggie Workman. Estava formado o "quarteto clássico", como seria chamado com Tyner, Garrison, Jones e Coltrane. Coltrane estava mudando seu estilo em direção a um mais harmônico, permitindo-o expandir suas improvisações rítmicas, melódicas e motivacionais. A complexidade harmônica ainda estava presente, mas no palco Coltrane continuava apresentando principalmente seus standards clássicos como: "Impressions", "My Favorite Things" e "I Want to Talk about You." 

A desaprovação ao quinteto com Dolphy teve certo impacto em Coltrane. Em contraste ao radicalismo de Coltrane em 1961 no Village Vanguard, seus álbuns de estúdio em 1962 e 1963 (com exceção de Coltrane, em que tocou uma versão pesada da música "Out of this World" de Harold Arlen) foram muito mais conservadores e acessíveis. Ele gravou álbuns de baladas e contou com colaborações de Duke Ellington no álbum Duke Ellington and John Coltrane e com o cantor Johnny Hartman no álbum John Coltrane and Johnny Hartman. A compilação da Impulse Coltrane for Lovers é também parecida com estes outros dois álbuns. O álbum Ballads é emblemático pela versatilidade de Coltrane, por como o quarteto despejou uma nova luz sobre standards antigos como "It's Easy to Remember." Apesar de uma aproximação mais refinada no estúdio, em apresentações o quarteto continuou a balancear standards com suas próprias explorações e desafios musicais, como pode ser visto no álbum Impressions (1963) (duas longas sessões incluindo a faixa título, além de "Dear Old Stockholm", "After the Rain" e um blues), Coltrane at Newport (onde ele toca "My Favorite Things") e Live at Birland ambos de 1963. Coltrane mais tarde disse que ele divertiu-se tendo um "catálogo balanceado". 

O álbum Crescent que foi lançado em 1964, conseguiu balancear o jazz tradicional com o estilo livre de Coltrane, sendo bem recebido pela crítica. O mesmo ocorreu com A Love Supreme, gravado em dezembro de 1964. 

A Love Supreme.

Esse disco, considerado sua magnum opus, é um ode à sua fé no amor e em Deus (não necessariamente o Deus cristão - na capa do disco Meditations ele diz "Eu acredito em todas as religiões"). Este interesse espiritual iria caracterizar muito a forma de tocar e compor de Coltrane a partir de então, como pode ser visto em álbuns como Ascension, Om e Meditations. O quarto movimento de A Love Supreme , "Psalm", é, de fato, um arranjo baseado em um poema feito para Deus por Coltrane e impresso no álbum. Coltrane toca quase exatamente cada nota para cada sílaba do poema, baseando suas frases nas palavras. 

O álbum foi um sucesso comercial pelos standards de jazz, englobando a energia interna e externa do quarteto. Crescent, gravado poucos meses antes, mostrava a audácia e harmonia entre os músicos. O álbum foi composto na casa de Coltrane em Dix Hills. 

O quarteto só tocou A Love Supreme uma vez ao vivo - em julho de 1965, em um show em Antibes na França. Já então a música de Coltrane havia evoluído, e a performance oferece um interessante contraste com a original. 

O jazz avant-garde e seu segundo quarteto.

No final dessa época, Coltrane mostrou um crescente interesse pelo avant-garde jazz promovido por Ornette Coleman, Albert Ayler e Sun Ra, entre outros. Ele foi especialmente influenciado pela dissonância do trio de Ayler com o baixista Gary Peacock e o baterista Sunny Murray. Coltrane encorajou muitos jovens músicos de free jazz (como Archie Shepp), tornando-se um líder do free jazz para o selo Impulse!. 

Após gravar A Love Supreme, o estilo apocalíptico de Ayler influenciou a música de Coltrane. Na primeira metade do ano de 1965, as gravações do quarteto mostravam uma crescente abstração da forma de tocar, incorporando novos modelos como a multifonia, a utilização de overtones e tocando em um registro altíssimo, assim como um diferente estilo de seu método sheets of sound. No estúdio, ele abandonou o soprano para se concentrar no saxofone tenor, tocando com o quarteto com crescente liberdade. A evolução do grupo pode ser traçada através dos álbuns The John Coltrane Quartet Plays, Living Space, Transition (junho de 1965), New Thing at Newport (julho de 1965), Sun Ship (agosto de 1965) e First Meditations (setembro de 1965). 

Em junho de 1965 entra no estúdio de Van Gelder com outros dez músicos (incluindo Shepp, Pharoah Sanders, Freddie Hubbard, Marion Brown e John Tchicai) para gravar Ascension, uma peça de 40 minutos de duração que apresentava solos ousados por jovens músicos do avant-garde (assim como Coltrane). Após gravar com o quarteto nos meses seguintes, Coltrane convida Pharoah Sanders a se juntar a seu grupo em setembro de 1965. 

Sanders era um dos saxofonistas mais virtuosos de sua época. Enquanto Coltrane usava over-blowing (técnica que é usada em instrumentos de sopro, trocando a direção e/ou a força do ar para alcançar alturas diferentes de sons) em certos momentos da música, Sander optava em usar nos solos inteiros, resultando em um chiado gritante constante em um patamar alto do instrumento. Quanto mais Coltrane tocava com ele, mais tendia ao som único de Sanders. John Gilmore foi também uma grande influência no último período de Coltrane. Após escutar uma performance de Gilmore, Coltrane disse "Ele conseguiu! Gilmore tem o conceito!" Ele recebeu algumas lições informais de Gilmore também. 

No final de 1965, Coltrane costumava ampliar seu grupo, com Sander e outros músicos de free jazz. Rashied Ali se juntou ao grupo como um segundo baterista. Este foi o fim do quarteto clássico; alegando ser incapaz de escutar a si mesmo com dois bateristas, Tyner deixa o grupo logo após as gravações de Meditations. Jones sai no começo de 1966, insatisfeito por ter que dividir a bateria com Ali. Após a morte de Coltrane, tanto Tyner quanto Jones expressaram em entrevistas aborrecimento com as novas direções musicais, enquanto incorporavam algumas das formas intensas do free jazz em seus projetos solo. 

Em 1965, Coltrane talvez tenha usado LSD - instruindo-o ao sublime, a transcendência cósmica em seu período final, além de sua incompreensibilidade para muitos ouvintes. Após as saídas de Jones e Tyner, Coltrane lidera um quinteto com Pharoah Sanders no saxofone tenor, sua nova esposa Alice Coltrane no piano, Jimmy Garrison no baixo e Rashied Ali na bateria. Coltrane e Sanders foram descritos por Nat Hentoff como falando em sua "própria língua". Enquanto faziam turnês o grupo ficou famoso por tocar versões muito longas de seu repertório, alcançando cerca de 30 minutos de duração e às vezes uma hora. Os solos dos membros tinham, no mínimo, duração de 15 minutos cada. 

Apesar do radicalismo dos saxofones, a seção rítmica com Ali e Alice era mais calma, mais meditativa que Jones e Tyner. O grupo pode ser escutado em várias gravações ao vivo de 1966, incluindo Live at the Village Vanguard Again! e Live in Japan. Em 1967, Coltrane entrou em estúdio várias vezes; apesar de terem surgido peças com Sanders (a incomum "To Be", em que ambos tocam flauta), a maioria das gravações foram feitas ou com o quarteto menos Sanders (Expressions e Stellar Regions) ou em dueto com Ali. Este último dueto produziu seis interpretações que aparecem no álbum Interstelar Space. 

Morte prematura.

Coltrane faleceu em decorrência de câncer do fígado no Hospital Huntington em Long Island - Nova Iorque, em 17 de julho de 1967 com 40 anos de idade. Numa entrevista em 1968, o saxofonista Albert Ayler revelou que Coltrane estava consultando um curandeiro hindu para se tratar, ao invés de usar a medicina ocidental, fato negado mais tarde por Alice Coltrane. Em ambos os casos, no entanto, o tratamento convencional seria inútil. 

Especula-se que a família de Coltrane esteja de posse de diversas peças inéditas do músico. A maioria seriam fitas em mono, de referências que o saxofonista teria feito, como o lançamento em 1995 de Stellar Regions, além de master tapes que nunca saíram do estúdio. O selo Impulse!, de 1965 a 1979 conhecido como ABC Records, lançou grande parte desse material na década de 70. O biógrafo Lewis Porter declarou que Alice Coltrane (que faleceu em 2007) pretendia lançar essas músicas mas, o seu filho Ravi Coltrane, responsável por rever o material, pretendia dar mais prioridade à sua carreira, pelo que (ainda) não foram lançadas. 

Foi sepultado em Pinelawn Memorial Park, Condado de Suffolk, Nova Iorque no Estados Unidos. 

Crenças religiosas.

Coltrane nasceu e cresceu como cristão, e sempre esteve em contato com religião e espiritualidade na infância. Quando jovem, ele tocava música em uma igreja afro-americana. Em A Night in Tunisia: Imaginings of Africa in Jazz, Norman Weinstein cita o paralelo entre a música de Coltrane e sua experiência na igreja. 

Em 1957, Coltrane começa a mudar suas direções espirituais. Dois anos antes, ele tinha se casado com Juanita Naima Grubb, uma muçulmana convertida (para quem ele mais tarde escreveria a peça "Naima"), e assim teria tido contato com o Islão, uma experiência que talvez o tenha levado a superar seu vício pelo álcool e pela heroína; foi um período de "despertar espiritual" que o ajudou a voltar à cena do jazz e eventualmente produzir grandes obras. A jornada o levou através do Islão. O baixista Donald Garrett disse certa vez a Coltrane: "Você tem que ir à fonte para aprender algo, e o Sufismo é uma das melhores fontes que há". 

Coltrane também explorou o Hinduísmo, a Cabala, Jiddu Krishnamurti, ioga, matemática, ciências, astrologia, história da África e até Platão e Aristóteles. Ele diz: "Durante o ano de 1957, eu experimentei, pela graça de Deus, um despertar espiritual o qual me guiou a uma rica, abundante e produtiva vida. Em gratidão, eu humildemente pedi que me fossem dados os meios e privilégios de fazer os outros felizes através da música. Em seu álbum de 1965, Meditations, Coltrane escreveu sobre ajudar pessoas: "...Para inspirá-los a realizar mais e mais de suas capacidades para viverem vidas significativas. Porque esse é certamente o sentido da vida." 

Em outubro de 1965, Coltrane grava Om, referindo-se ao mantra mais importante do Hinduísmo que simboliza o infinito de todo o Universo. Coltrane descreve Om como a "primeira sílaba, a palavra primal, o poder da palavra". A gravação de 29 minutos contém cantos de Bagavadguitá, um épico Hindu. Uma gravação de 1966, lançada postumamente, apresenta Coltrane e Sanders cantando um texto Budista, O Livro Tibetano dos Mortos, e recitando uma passagem descrevendo a verbalização primal "om" como um denominador comum cósmico/espiritual em todas as coisas. 

A jornada espiritual de Coltrane foi entrelaçada com sua pesquisa no mundo da música. Ele acreditou não somente na estrutura da música universal que transcendia distinções étnicas, mas capaz de armar a linguagem mística da música por si só. Os estudos de Coltrane com música Indiana o levaram a crer que certos sons e escalas poderiam "produzir sentidos emocionais específicos" (impressões). De acordo com Coltrane, o objetivo de um músico era entender estas forças, controlá-las, e passá-las para o público. Coltrane disse: "Eu gostaria de levar para as pessoas algo como a felicidade. Eu gostaria de descobrir um método que, se eu quisesse que chovesse, chovesse imediatamente. Se um de meus amigos estivesse doente, eu gostaria de tocar uma certa música e cura-lo; se ele estivesse falido, tocaria uma música diferente e ele receberia imediatamente todo o dinheiro que precisasse." 

Legado.

Embora alguns ouvintes de jazz ainda considerem os últimos álbuns de Coltrane contendo um pouco de cacofonia, muitas de suas últimas gravações - entre elas Ascension, Meditations e a póstuma Interstellar Space são largamente consideradas obras-primas. 

A música modal de Coltrane e seu período no Village Vanguard foi a principal influência no que seria a primeira gravação de jazz-rock fusion, a música "Eight Miles High" do grupo The Byrds em dezembro de 1965. Algumas outras inovações seriam incorporadas no movimento fusion, mas com uma diminuição do fervor espiritual. 

A influência a qual Coltrane exerceu abrange muitos gêneros de músicas e músicos. Por exemplo, Jimi Hendrix, John McLaughlin, Carlos Santana, Primal Scream, Jah Wobble, Tom Verlaine, Allan Holdsworth, Jerry Garcia, The Stooges, The Doors, Erykah Badu, Mike Watt, Phil Lesh, OutKast, Christian Vander e Duane Allman citaram Coltrane como inspiração em seus trabalhos.
Retrato de John Coltrane feito por Paolo Steffan (2007).
 

A influência maciça de Coltrane no jazz, tanto no mainstream e avant-garde, começou durante sua vida e continuou crescendo mesmo depois de sua morte. Ele é uma das maiores saxofonistas de jazz influentes no pós-60 e inspirou uma geração inteira de músicos de jazz. Em 1965, ele entrou para o Down Beat Jazz Hall of Fame, e foi postumamente premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 1992. 

A viúva, Alice Coltrane, após décadas de reclusão, ganhou brevemente um perfil público antes de sua morte em 2007. O filho de Coltrane, Ravi Coltrane, nome dado em homenagem ao tocador de sitar Ravi Shankar que Coltrane admirava, seguiu os passos do pai e é um notável saxofonista contemporâneo. 

A Igreja Ortodoxa Africana Saint John Coltrane, uma Igreja Ortodoxa Africana em São Francisco, considerou em 1971 Coltrane como um santo. Incorporando a música de Coltrane com suas letras e orações. 

Um documentário sobre Coltrane, falando sobre a igreja, foi produzido pela BBC em 2004 apresentado por Alan Yentob. 

Sua casa na Filadélfia foi designada patrimônio histórico em 1999. Texto: Wikipédia. 

Senha dos Arquivos: muro

Password Files: muro

 

Álbuns.

Hank Mobley, Al Cohn, John Coltrane, Zoot Sims - Tenor Conclave (1956)
 
01. Bob's Boys
02. Just You, Just Me
03. Tenor Conclave
04. How Deep Is The Ocean


Coltrane/Prestige 7105 (1957)
 
01. Bakai
02. Violets For Your Furs
03. Time Was
04. Straight Street
05. While Your Lady Sleeps
06. Chronic blues


V.A - Interplay For 2 Trumpets And 2 Tenors (1957)
 
01. Interplay
02. Anatomy
03. Light blue
04. Soul eyes


V.A - Winner's Circle (1957)
 
01. Lazy Afternoon
02. Not So Sleepy
03. Seabreeze
04. Love And The Weather
05. She Didn't Say Yes
06. If I'm Lucky (I'll Be The One)
07. At Home With The Blues
08. Turtle Walk


Soultrane (1958)
 
01. Good Bait
02. I Want To Talk About You
03. You Say You Care
04. Theme For Ernie
05. Russian Lullaby


John Coltrane With The Red Garland Trio - Traneing In, 1957 (1958)
 
01. Traneing In
02. Slow Dance
03. Bass Blues
04. You Leave Me Breathless
05. Soft Lights And Sweet Music


Blue Train (1958)
 
01. Blue Train
02. Moment's Notice
03. Locomotion
04. I'm Old Fashioned
05. Lazy Bird

Frank Wess & John Coltrane - Wheelin' & Dealin, 1957 (1958)
 
01. Things Ain't What They Used To Be
02. Wheelin' (Take 2)
03. Wheelin' (Take 1)
04. Robbins' Nest 2
05. Dealin' (Take 2)
06. Dealin' (Take 1)


Miles Davis And John Coltrane - Miles & Coltrane (1958)
 
01. Ah-Leu-Cha
02. Straight, No Chaser
03. Fran Dance
04. Two Bass Hit
05. Bye Bye Blackbird
06. Little Melonae
07. Budo


Stardust (1958)
 
01. Stardust
02. Time After Time
03. Love Thy Neighbor
04. Then I'll Be Tired Of You


V.A - Tanganyika Strut (1958)
 
01. Tanganyika Strut
02. B.J.
03. Anecdac
04. Once In A While


The Stardust Session (1958)
 
01. Spring Is Here
02. Invitation
03. I'm A Dreamer Aren't We All
04. Love Thy Neighbor
05. Don't Take Your Love From Me, Henry Nemo
06. My Ideal, Whiting
07. Stardust
08. I'll Get By

John Coltrane & Paul Quinichette - Cattin' 1957 (1959)
 
01. Cattin'
02. Sunday
03. Exactly Like You
04. Anatomy
05. Vodka
06. Tea For Two

V.A - The Cats ,1957 (1959)
 
01. Minor Mushap
02. How Long Has This Been Going On
03. Eclypso
04. Solacium
05. Tommy's Time
Link.

Coltrane Jazz, 1956-1959 (1960)
 
01. Little Old Lady
02. Village Blues
03. My Shining Hour
04. Fifth House
05. Harmonique
06. Like Sonny
07. I'll Wait And Pray
08. Some Other Blues

Giant Steps, 1959 (1960)
 
01. Giant Steps
02. Cousin Mary
03. Countdown
04. Spiral 5:56
05. Syeeda's Song Flute
06. Naima
07. Mr. P. C.

Lush Life, 1957-1958 (1961)
 
01. Like Someone In Love
02. I love You
03. Trane's Slow Blues
04. Lush Life
05. I Hear A Rhapsody


Milt Jackson & John Coltrane - Bags & Trane, 1959 (1961)
 
01. Stairway To The Stars
02. The Late Late Blues
03. Bags And Trane
04. Three Little Words
05. The Night We Called A Day
06. Be-Bop
07. Blues Legacy
08. Centerpiece

My Favorite Things, 1960 (1961)
 
01. My Favorite Things
02. Every Time We Say Goodbye
03. Summertime
04. But Not For Me


John Coltrane Quartet - Africa Brass (1961)
 
01. Africa
02. Greensleeves
03. Blues Minor
04. Song Of The Underground Railroad
05. Greensleeves
06. Africa

Olé (1961)
 
01. Olé
02. Dahomey Dance
03. Aisha
04. To Her Ladyship


Thelonious Monk & John Coltrane, 1957 (1961)
 
01. Ruby, My Dear
02. Trinkle, Tinkle
03. Off Minor
04. Nutty
05. Epistrophy
06. Functional


Settin' The Pace, 1958 (1961)
 
01. I See Your Face Before Me
02. If There Is Someone Lovelier Than You
03. Little Melonae
04. Rise And Shine


Standard Coltrane, 1958 (1962)
 
01. Don't Take Your Love From Me
02. I'll Get By
03. Spring Is Here
04. Invitation


Coltrane Plays The Blues, 1960 (1962)
 
01. Blues To Elvin
02. Blues To Bechet
03. Blues To You
04. Mr. Day
05. Mr. Syms
06. Mr. Knight
07. Exotica


Impressions, 1961 (1963)
 
01. India
02. Up 'Gainst The Wall
03. Impressions
04. After The Rain
05. Dear Old Stockholm (Bonus Track)


John Coltrane And Johnny Hartman (1963)
 
01. They Say It's Wonderful
02. Dedicated To You
03. My One And Only Love
04. Lush Life
05. You Are Too Beautiful)
06. Autumn Serenade
07. Vilia (Bonus Track)


Dakar, 1957 (1963)
 
01. Dakar
02. Mary's blues
03. Route four
04. Velvet Scene
05. Witches pit
06. Cat walk

Link. 

Kenny Burrell & John Coltrane, 1958 (1963)
 
01. Freight Trane
02. I never Knew
03. Lyresto
04. Why was I born
05. Big Paul


The Believer, 1958 (1964)
 
01. The Believer
02. Nakatini Serenade
03. Do I Love You Because You're Beautiful
04. Filide
05. Paul's Pal


Coltrane's Sound, 1960 (1964)
 
01. The Night Has A Thousand Eyes
02. Central Park West
03. Liberia
04. Body And Soul
05. Equinox
06. Satellite
Bonus Tracks.
07. 26-2
08. Body And Soul (Alternate Take)

John Coltrane Quartet - Crescent (1964)
 
01. Crescent
02. Wise One
03. Bessie's Blues
04. Lonnie's Lament
05. The Drum Thing


Black Pearls, 1958 (1964)
 
01. Black Pearls
02. Lover Come Back To Me
03. Sweet Saphire Blues


A Love Supreme (1965)
 
01. Part I - Acknowledgement
02. Part II - Resolution
03. Part III - Pursuance
04. Part IV - Psalm


Bahia, 1958 (1965)
 
01. Bahia
02. Goldsboro Express
03. My Ideal, Whiting, Chase
04. I'm A Dreamer, Aren't We All
05. Something I Dreamed Last Night

Link.

Ascension (1965)
 
01. Ascension - Edition II
02. Ascension - Edition I


Kulu Se Mama (1965)
 
01. Kulu Se Mama
02. Vigil
03. Welcome
05. Dusk Dawn
06. Dusk Dawn (Alternative Take)


The John Coltrane Quartet Plays (1965)
 
01. Chim Chim Cheree
02. Brazilia
03. Nature Boy
04. Song of Praise
05. Feelin' Good
06. Nature Boy
07. Nature Boy


The Last Trane, 1957-1958 (1966)
 
01. Lover
02. Slowtrane
03. By The Numbers
04. Come Rain Or Shine


John Coltrane & Don Cherry - The Avant-Garde, 1960 (1966)
 
01. Cherryco
02. Focus On Sanity
03. The Blessing
04. The Invisible
05. Bemsha Swing

Link.

Meditations, 1965 (1966)
 
01. The Father And The Son And The Holy Ghost
02. Compassion
03. Love
04. Consequences
05. Serenity


Expression (1967)
 
01. Ogunde
02. To Be
03. Offering
04. Expression
05. Number One


John Coltrane & Alice Coltrane - Cosmic Music, 1966-1968 (1969)
 
01. Manifestation
02. Reverend King
03. Peace On Earth
04. Leo


Transition, 1965 (1970)
 
01. Transition
02. Welcome
03. Suite
A. Prayer And Meditation: Day
B. Peace And After
C. Prayer And Meditation: Evening
D. Affirmation
E. Prayer And Meditation: 4 A.M.

04. Vigil
 

Sun Ship, 1965 (1971)
 
01. Sun Ship
02. Dearly Beloved
03. Amen
04. Attaining
05. Ascent


Interstellar Space, 1967 (1974)
 
01. Mars
02. Leo
03. Venus
04. Jupiter Variation
05. Jupiter
06. Saturn


The Gentle Side Of John Coltrane (1975)
 
01. Soul Eyes
02. What's New
03. Welcome
04. Nancy (With The Laughing Face)
05. My Little Brown Book
06. Wise One
07. Lush Life
08. Alabama
09. My One And Only Love
10. After The Rain
11. In A Sentimental Mood
12. Dear Lord
13. I Want To Talk About You


Afro Blue Impressions, Live 1963 (1977)
 
CD 1.

01. Lonnie's Lament
02. Naima
03. Chasin' the Trane
04. My Favorite Things

CD 2.

01. Afro Blue
02. Cousin Mary
03. I Want to Talk About You
04. Spiritual
05. Impressions


First Meditation: For Quartet, 1965 (1977)
 
01. Love
02. Compassion
03. Joy
04. Consequences
05. Serenity
06. Joy


Jupiter Variation, 1967 (1978)
 
01. Number One
02. Peace on Earth
03. Jupiter (Variation)
04. Leo


Bye Bye Blackbird, 1962 (1981)
 
01. Bye Bye Blackbird
02. Inchworm
03. Impressions
04. Chim Chim Cheree


Like Sonny, 1960 & 1958 (1990)
 
01. One And Four (Aka Mr. Day)
02. Exotica (Alternate Take)
03. Exotica
04. Like Sonny (Aka Simple Like)
05. Essii's Dance
06. Doxy
07. Oleo
08. I Talk To The Trees
09. Yesterdays
10. Angel Eyes


Coltrane Time, 1958 (1991)
 
01. Shifting Down
02. Just Friends
03. Like Someone In Love
04. Double Clutching


John Coltrane Quartet - Coast To Coast, 1964 (1991)
 
01. Alabama
02. Impressions
03. Creation


Live In Antibes: Juan Les Pins Jazz Festival, 1965 (1992)

 01. Love Supreme
02. Impressions
03. Naima
 


The Major Works Of John Coltrane, 1965 (1992)
 
CD 1.

01. Ascension - Edition I
02. Om

CD 2.

01. Ascension - Edition II
02. Kulu Se Mama
03. Selflessness


Dear Old Stockholm, 1965 (1993)
 
01. Dear Old Stockholm
02. After The Rain
03. One Down, One Up
04. After The Crescent
05. Dear Lord


Miles Davis Quintet Whit John Coltrane - Live In Zurich, 1960 (1993)
 
01. If I Were A Bell
02. Fran-Dance
03. So What
04. All Blues
05. The Theme
06. Four
07. Bye Bye Blackbird
08. Walkin'
09. Two Bass Hit


Miles Davis, John Coltrane & Sonny Stitt - The Complete Live In Stockholm, 1960 (1994)
 
CD 1.

01. So What
02. On Green Dolphin Street
03. All Blues / The Theme
04. Interview with John Coltrane
05. So What
06. Fran-Dance

CD 2.

01. Walkin' / The Theme
02. Walkin'
03. Autumn Leaves
04. So What
05. 'Round Midnight / The Theme

CD 3.

01. June Night
02. Stardust
03. On Green Dolphin Street
04. All Blues / The Theme
05. All Of You

CD 4.

01. Walkin'
02. Autumn Leaves / The Theme
03. Softly As In A Morning Sunrise
04. Makin' Whopee
05. Lover Man
06. If I Were A Bell
07. No Blues - The Theme


Miles Davis, John Coltrane & Sonny Stitt - En Concert Avec Europe 1, 1960 (1994)
 
CD 1.

01. All Of You
02. So What
03. On Green Dolphin Street

CD 2.

01. Walkin'
02. Bye Bye Blackbird
03. Round About Midnight
04. Oleo
05. The Theme

CD 3.

01. Walkin'
02. Autumn Leaves
03. Four
04. Unidentified
05. Round About Midnight
06. No Blues
07. The Theme

CD 4.

01. Walkin'
02. If I Were a Bell
03. Fran Dance
04. Two Bass Hit
05. All of You
06. So What
07. The Theme


Duke Ellington & John Coltrane, 1962 (1995)
 
01. In a Sentimental Mood
02. Take the Coltrane
03. Big Nick
04. Stevie
05. My Little Brown Book
06. Angelica
07. The Feeling of Jazz


Stellar Regions, 1967 (1995)
 
01. Seraphic Light
02. Sun Star
03. Stellar Regions
04. Iris
05. Offering
06. Configuration
07. Jimmy's Mode
08. Tranesonic
09. Stellar Regions (Alternate Take)
10. Sun Star (Alternate Take)
11. Tranesonic (Alternate Take)

Link.

The Complete Village Vanguard Recordings, 1961 (1997)
 
CD 1.

01. India
02. Chasin' The Trane
03. Impressions
04. Spiritual
05. Miles' Mode
06. Naima

CD 2.

01. Brasilia
02. Chasin' Another Trane
03. India
04. Spiritual
05. Softly As In A Morning Sunrise

CD 3.

01. Chasin' The Trane
02. Greensleeves
03. Impressions
04. Spiritual
05. Naima
06. Impressions

CD 4.

01. India
02. Greensleeves (Traditional)
03. Miles' Mode
04. India
05. Spiritual


Newport '63 (1997)
 
01. I Want To Talk About You
02. My Favorite Things
03. Impressions
04. Chasin Another Trane
 


Miles Davis & John Coltrane - The Complete Columbia Recordings, 1955-1961 (1999)
 

CD 1.
 
01. Two Bass Hit (Alternate Take)
02. Two Bass Hit
03. Ah-Leu-Cha (Alternate Take)
04. Ah-Leu-Cha
05. Ah-Leu-Cha (Take 5)
06. Little Melonae
07. Budo (Alternate Take)
08. Budo
09. Dear Old Stockholm
10. Bye Bye Blackbird (Alternate Take)
11. Bye Bye Blackbird
12. Tadd's Delight
13. Tadd's Delight (Alternate Take)

CD 2.
 
01. Dear Old Stockholm (Alternate Take)
02. All Of You (Alternate Take)
03. All Of You
04. Sweet Sue, Just You (First Version)
05. Sweet Sue, Just You (False Start)
06. Sweet Sue, Just You (Alternate Take)
07. Sweet Sue, Just You
08. Miles Davis Comments
09. 'Round Midnight
10. Two Bass Hit (Alternate Take)
11. Two Bass Hit
12. Billy Boy
13. Straight, No Chaser (Alternate Take)

CD 3.
 
01. Straight, No Chaser
02. Milestones (Alternate Take)
03. Milestones
04. Sid's Ahead
05. Little Melonae
06. Dr. Jackle
07. On Green Dolphin Street
08. Fran-Dance (Alternate Take)
09. Fran-Dance
10. Stella By Starlight

CD 4.
 
01. Love For Sale
02. Freddie Freeloader (False Start)
03. Freddie Freeloader
04. So What
05. Blue In Green
06. Flamenco Sketches (Alternate Take)
07. Miles Davis Comments
08. Flamenco Sketches (Take 2)
09. All Blues

CD 5.
 
01. Someday My Prince Will Come
02. Teo
03. Introduction by Willis Conover
04. Ah-Leu-Cha
05. Straight, No Chaser
06. Fran-Dance
07. Two Bass Hit
08. Bye Bye Blackbird
09. The Theme

CD 6.
 
01. If I Were A Bell (Live)
02. Oleo (Live)
03. My Funny Valentine (Live)
04. Straight, No Chaser (Live)


The Bethlehem Years, 1957 (2000)
 
CD 1.

01. Midriff
02. Ain't Life Grand
03. Tippin'
04. Pristine
05. El Toro Valiente
06. The Kiss of No Return
07. Late Date
08. The Outer World
09. Not So Sleepy
10. Love and the Weather
11. If I'm Lucky
12. Turtle Walk

CD 2.

01. Oasis
02. Midriff (Take 1)
03. Midriff (Take 2)
04. The Kiss of No Return (Take 1)
05. The Kiss of No Return (Take 5)
06. The Outer World (Take 2)
07. The Outer World (Take 5)
08. El Toro Valiente (Take 1)
09. Ain't Life Grand (Take 2)
10. Ain't Life Grand (Take 4)
11. Pristine (Take 2)
12. Pristine (Take 6)
13. Pristine (Take 8)
14. Tippin' (Take 1)
15. Tippin' (Take 3)

John Coltrane And Archie Shepp - New Thing At Newport, 1965 (2000)
 
01. Spoken introduction to John Coltrane's set by Father Norman O'Connor
02. One Down
03. My Favorite Things
04. Spoken introduction to Archie Shepp's set by Billy Taylor
05. Gingerbread
06. Call Me by My Rightful Name
07. Scag
08. Rufus (Swung His Face at Last to the Wind, Then His Neck Snapped)
09. Le Matin des Noire


Man Made Miles 1958-1962 (2000)
 
01. Man Made Miles
02. Stuff I'm Partial To
03. Mr. R.C.M. Jr, My Favourite Things


John Coltrane Quintet With Eric Dolphy, 1961 (2000)
 
01. My Favorite Things
02. Mr. PC
03. Miles' Mode


Coltrane For Lovers, 1961-1963 (2001)
 
01. My One And Only Love
02. Too Young To Go Steady
03. In A Sentimental Mood
04. It's Easy To Remember
05. Dedicated To You
06. You Don't Know What Love Is
07. After The Rain
08. My Little Brown Book
09. Soul Eyes
10. They Say It's Wonderful
11. Nancy (With The Laughing Face)


Spiritual, 1961-1967 (2001)
 
01. Welcome
02. A Love Supreme Part I: Acknowledgement
03. Dear Lord
04. Song Of Praise
05. Wise One
06. Tunji
07. Ogunde
08. Spiritual
 

Link.

John Coltrane Quartet - Ballads, 1962 (2002)
 
CD 1.

01. Say It (Over And Over Again)
02. You Don't Know What Love Is
03. Too Young To Go Steady
04. All Or Nothing At All
05. I Wish I Knew
06. What's New?
07. It's Easy To Remember
08. Nancy (With The Laughing Face)
 

CD 2.

01. They Say It's Wonderful (Irving Berlin)
02. All Or Nothing At All
03. Greensleeves (Traditional, Arr. By Mccoy Tyner)
04. Greensleeves
05. Greensleeves
06. Greensleeves --- 45-Rpm Take
07. Greensleeves
08. It's Easy To Remember
09. It's Easy To Remember
10. It's Easy To Remember
11. It's Easy To Remember
12. It's Easy To Remember
13. It's Easy To Remember
14. It's Easy To Remember


Coltrane, 1962 (2002)
 
CD 1.

01. Out Of This World
02. Soul Eyes
03. The Inch Worm
04. Tunji
05. Miles' Mode

CD 2.

01. Not Yet
02. Miles' Mode
03. Tunji
04. Tunji
05. Tunji
06. Tunji
07. Impressions
08. Impressions
09. Big Nick
10. Up 'Gainst The Wall


A Love Supreme 1964-1965 (Deluxe Edition 2002)
 
CD 1.

01. A Love Supreme Part I: Acknowledgement
02. A Love Supreme Part II: Resolution
03. A Love Supreme, Part III: Pursuance
04. A Love Supreme, Part IV-Psalm

CD 2.

01. Introduction By Andre Francis
02. A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement
03. A Love Supreme, Part 2: Resolution
04. A Love Supreme, Part 3: Pursuance
05. A Love Supreme, Part 4: Psalm
06. A Love Supreme, Part II-Resolution
07. A Love Supreme, Part 2: Resolution
08. A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement
09. A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement


Miles Davis Quintet With John Coltrane - In Copenhagen, 1960 (2005)
 
01. So What
02. On Green Dolphin Street
03. All Blues-The Theme
04. Milestones

Miles Davis Quintet Featuring John Coltrane ‎- Live In Den Haag, 1955-1960 (2005)
 
01. So What
02. Around Midnight
03. On Green Dolphin Street
04. Walkin'
05. The Theme
06. So What
07. Max Is Making Wax
08. It Never Entered My Mind
09. Tune Up
10. Walkin'

Miles Davis & John Coltrane - Live In New York, 1958-1959 (2006)
 
01. Bye, Bye, Blackbird
02. Four
03. It Never Entered My Mind
04. Walkin'
05. Milestones
06. So What

The Miles Davis All Stars Featuring John Coltrane - Broadcast Sessions, 1958-1959 (2008)
 
01. Four
02. Bye Bye Blackbird
03. Walkin'
04. Two Bass Hit • Closing Announcement
05. Sid's Ahead
06. Bye Bye Blackbird
07. Straight No Chaser
08. What Is This Thing Called Love
09. Bag's Groove
10. All Of You

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17 comentários :

  1. Caro Muro, SIMPLESMENTE DEMAIS!!!!!!
    Muito obrigado
    LONG LIVE MURO.

    ResponderExcluir
  2. Espetacular Alex. Parabéns pelo trabalho!

    ResponderExcluir
  3. muito legal não é fácil de encontrar essa discografia.
    muito obrigado mestre do som Alex.
    John Coltrane não é rock mais é simplesmente clássico!

    ResponderExcluir
  4. Mais uma vez, show de bola. Não dá para dissociar o Rock de suas influências provenientes do Blues, do Jazz e de outras vertentes da música negra. Simplesmente sensacional, tenho alguns vinis do john Coltrane, e agora vou poder curtir mais algumas obras deste gênio da musica.

    ResponderExcluir
  5. Mano, sensacional! Eu já conhecia um pouco do John Coltrane. o álbum Blue Train é ótimo. Alex, muito obrigado!

    ResponderExcluir
  6. Vou começar a pesquisar pelo Interstellar Space, 1967 (1974)
    Ta parecendo meio prog nos títulos rs

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  7. I'm speechless ...

    BIG BIG THX!

    Greetz from Germany :)

    ResponderExcluir
  8. Fantástica postagem

    ResponderExcluir
  9. depois do Miles, agora Coltrane!!! Alex vc está se superando ! Esses caras foram e são importantíssimos para a musica em todas as instâncias! Valeu!

    ResponderExcluir
  10. O que dizer de um artista que foi/bebeu na "fonte" e fez o disco (First Meditation: For Quartet, 1965 (1977)) Só para os gênios e são poucos. Conheço de música há uns 20 anos...e já baixei 70% do muro, posso lhe dizer que a música "Naima" está na seleção da minha mão esquerda do dedo anelar (nome vem da antiga Grécia onde se acreditava que existia uma veia que comunicava entre este dedo e o coração diretamente)

    ResponderExcluir
  11. Quando vi sua postagem do Miles Davis pensei logo logo aparece alguma coisa do Coltrane. Dito e feito,simplesmente MARAVILHOSO!!! Eternamente grato por essa postagem, APAVOROU DEMAIS!!! Vida longa ao MURO, o melhor do mundo!!!

    ResponderExcluir
  12. miles davis e agora coltrane,dois monstros sagrados do jazz,valeu cara,é por isso que todos os dias faço minha visita ao muro sem medo de quebrar a cara, kkkkkk.

    ResponderExcluir
  13. DÁ-LHE ALEX! Conteúdo de primeira, ouvidos apuradíssimos e de extremo bom gosto! Coltrane é um genio, mestre mesmo. Sou grato pela postagem ;)

    ResponderExcluir
  14. Parabéns cada dia o site está melhor!

    ResponderExcluir
  15. Há anos busco completar essa discografia. Já tinha em meu domínio algo em torno de 50 álbuns. Agora finalmente posso completar. Um abraço e muitíssimo grato.

    ResponderExcluir
  16. Solo gracias, muchas gracias. Abrazos.

    ResponderExcluir
  17. Superlativo, Alex, Superlativo

    ResponderExcluir

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